DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES SOCIOEMOCIONAIS

Data: 11 de Março de 2019

Para além dos componentes curriculares, como matemática e português, as habilidades socioemocionais ganharam destaque na nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC), desenvolvida pelo Ministério da Cultura, que passa a vigorar a partir desse ano nas escolas brasileiras. Estudo da Universidade de Columbia aponta que para cada dólar investido no desenvolvimento da inteligência socioemocional de uma criança, 11 dólares são devolvidos à sociedade. Além disso, pesquisas da organização Colaboração para Aprendizagem Acadêmica, Social e Emocional (CASEL) apontam um aumento de até 11% nas notas através do desenvolvimento de habilidades socioemocionais. O comportamento em sala de aula melhora, os alunos se sentem menos estressados e o processo de aprendizagem fica muito mais fácil. Nesse caminho, surge a startup Voa Educação, uma empresa de inteligência sobre dados socioemocionais, que auxilia no desenvolvimento dessas habilidades, através da tecnologia.

 

DADOS

Voa Educação é uma empresa de inteligência sobre dados socioemocionais que ajuda os educadores a entenderem o aluno de forma completa, analisando dados de notas, presenças, ocorrências e traços comportamentais. A startup foi selecionada na chamada multissetorial do Fundo BR Startup e receberá mentoria e aporte financeiro para ampliar a atuação no país.

A startup fornece um dashboard para educadores, gestores e conselhos de classe acompanharem os alunos e entenderem como podem prepará-los para o século 21. O produto também envolve um aplicativo com chatbot que interage com a equipe pedagógica para coletar os dados dos alunos de forma fácil, como em uma conversa no whatsapp. Todo o sistema pode ser integrado a outros sistemas e planilhas da escola.

A discussão sobre o papel e a importância das competências socioemocionais ganhou corpo no mundo inteiro ao longo das últimas décadas. Nos anos 90, o surgimento do Paradigma do Desenvolvimento Humano, proposto pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e a publicação do Relatório Jacques Delors, organizado pela Unesco, representaram um importante passo para o debate sobre a importância de uma educação plena, que considere o ser humano em sua integralidade.

O primeiro texto coloca as pessoas no centro dos processos de desenvolvimento e aponta a educação como oportunidade central para prepará-las para escolhas e ajudá-las a transformar seu potencial em competências. Já o relatório da Unesco sugere um sistema de ensino fundado em quatro pilares: (i) aprender a conhecer, (ii) aprender a fazer, (iii) aprender a ser, e (iv) aprender a conviver.

O ensino das habilidades socioemocionais é uma das estratégias mais significativas disponíveis hoje para promover sucesso estudantil e reformas escolares eficazes. Pesquisas extensas apontam que a aprendizagem socioemocional melhora resultados acadêmicos, ajuda alunos a desenvolver autorregulação, melhora as relações da escola com a comunidade, reduz os conflitos entre alunos, melhora a disciplina da sala de aula e ajuda jovens a serem mais saudáveis e bem-sucedidos na escola e na vida.

Em 2012, existiam cerca de 15 milhões de crianças menores de 5 anos vivendo no Brasil, com a taxa de crescimento da população ainda em ascensão. Estima-se que uma em cada seis dessas crianças de três e quatro anos não tinham habilidades básicas de desenvolvimento socioemocional ou cognitivo (McCoy et al., 2016).

Estudos do Casel apontam um aumento de até 11% nas notas através do desenvolvimento de habilidades socioemocionais. O comportamento em sala de aula melhora, os alunos se sentem menos estressados e processo de aprendizagem fica muito mais fácil.

Estudo da universidade norte-americana de Columbia aponta que para cada dólar investido no desenvolvimento da inteligência socioemocional de uma criança, 11 dólares são devolvidos à sociedade. Ensinar as crianças a se autoconhecerem, ganharem confiança e se relacionarem com o mundo ao seu redor pode torná-las não somente pessoas melhores, como indivíduos com menos tendência a sofrer de ansiedade e depressão – e, consequentemente, com chances maiores de se tornarem profissionais de maior sucesso.