Existe uma metodologia de ensino perfeita?

Data: 16 de Julho de 2019 — Por Redação
Importante escolher a metodologia que desenvolva o seu filho
Importante escolher a metodologia que desenvolva o seu filho

Muitos critérios passam pela sua cabeça na hora de escolher a escola ideal para seus filhos. Uma delas é a metodologia. É importante saber como os professores lidam com diferentes perfis de alunos, com as mais variadas dificuldades enfrentadas nas salas de aula e toda essa diversidade de situações, que podem impactar nos resultados obtidos durante o ensino.  

Mas existe realmente uma metodologia de ensino inovadora? Como trabalhar de forma a obter melhores resultados em relação ao aprendizado da turma? Essas dúvidas são bem frequentes e constantemente fazem parte da preocupação dos pais na hora de escolher uma instituição de ensino adequada.

Por isso, listamos algumas orientações que podem ajudarm você a pensar de forma mais clara em relação à incorporação adequada do conhecimento e entender como ela funciona na prática — o que também ajuda a formar melhores escolhas. Continue a leitura para saber mais!

Diferenças individuais em sala de aula
Sabemos que, em sala de aula, sempre haverá aquele aluno mais cordial ou aquele cujas características emocionais são mais instáveis. Há também aquele estudante menos afeito a responsabilidades e outro mais sensível a mudanças.

Da mesma forma que acontece em qualquer outro ambiente, a sala de aula é composta por pessoas com variadas características de temperamento — e é no momento de lidar com essas diferenças que percebemos a dificuldade em agradar a “gregos e troianos”.

Como os múltiplos traços de personalidade e temperamento acabam influenciando no modo de trabalhar com cada aluno, o professor deve ter em mente que essas diferenças sempre existirão e, por isso, o ideal é esforçar-se para valorizar a individualidade e respeitá-la. Além disso, estimar o que cada aluno tem de melhor para oferecer e ensiná-lo a desenvolver melhor seu potencial cognitivo a partir de suas habilidades e limitações.

Os estilos de aprendizagem existentes
Os estilos cognitivos, além dos estilos temperamentais, são outros fatores que, além de estarem presentes de forma individual, impactam diretamente no aprendizado e na escolha da metodologia de ensino ideal.

Todos nós temos um método ou processo cognitivo preferencial para aprender alguma coisa durante a vida. Existem aqueles que melhor absorvem os conteúdos de forma visual, auditiva ou, finalmente, aqueles que assimilam mais eficientemente de maneira sinestésica.

Qual estratégia utilizar para ajudar no desenvolvimento cognitivo dos alunos em sala de aula?
O segredo é, mais que priorizar um ou outro estilo, trabalhar de forma a conciliar todos eles. Fazendo isso, você dá oportunidades para que todos consigam absorver melhor um mesmo conteúdo. Além disso, permite que cada aluno perceba as suas próprias preferências de aprendizagem — a depender da sua maturidade para isso — e adote medidas e estratégias mais adequadas de aprendizado.

As metodologias de ensino
Existem diversas metodologias de ensino disponíveis e é possível encontrar instituições que oferecem diversos benefícios ligados a esses modelos. Mas, afinal, em que consiste cada um deles? Qual é o mais adequado? Conheça suas características e benefícios nos próximos tópicos.

O estilo tradicional
A metodologia de ensino tradicional é a mais utilizada no Brasil. Nela, o papel do professor se estabelece em uma espécie de hierarquia. Nesse cenário, o profissional expõe os conhecimentos, ministrando as aulas diante de uma lousa, e cobra o conhecimento do conteúdo dos alunos.

Em outras palavras, ele consiste em aulas expositivas, aplicação de provas, procura por resultados tangíveis e mensuráveis e a reprovação dos estudantes que apresentam um desempenho abaixo do estabelecido como a média.

O método construtivista
Nesse modelo, o aluno se torna o centro do processo, ao contrário da metodologia mais tradicional. Assim, o estudante tem um papel mais ativo na busca por conhecimento, à medida em que novos questionamentos ou assuntos de interesse vão surgindo.

O currículo é bem flexível e respeita o tempo de aprendizado dos alunos, que participam de situações semelhantes às vividas na realidade. A ideia é permitir que eles questionem, reflitam e cheguem a conclusões próprias a respeito de diversos assuntos.

A metodologia montessoriana
O modelo montessoriano preza pela autonomia do aluno em um cenário no qual os professores (e até mesmo o pais) têm um papel de facilitadores. Assim, os próprios estudantes selecionam os temas que querem estudar e fazem parte dos seus interesses — prezando, é claro, pelo currículo obrigatório estabelecido pelo MEC.

De modo geral, as turmas não seguem uma faixa etária definida (como na metodologia tradicional), uma vez que alunos de diferentes idades podem buscar assuntos semelhantes.

O método Waldorf
Este conceito gira em torno do fato de que cada pessoa se desenvolve de forma diferente e, portanto, o modelo de ensino precisa considerar a individualidade dos alunos.

O objetivo é estimular o raciocínio, a iniciativa, o equilíbrio emocional e o desenvolvimento artístico e intelectual dos estudantes. Vale destacar que os professores (e a escola) têm bastante autonomia para definir qual será o currículo adotado.

A metodologia freiriana
Esse método foi desenvolvido por Paulo Freire e conta com reconhecimento internacional. Nesse modelo, o principal objetivo da educação é a conscientização dos alunos.

Para isso, os conteúdos expostos não devem ser adotados como verdade absoluta, o que estimula o desenvolvimento do senso crítico. Assim, as aulas funcionam como uma espécie de via de mão dupla, na qual os professores ensinam, mas também possam aprender em sala de aula com os alunos.

As múltiplas inteligências
A Teoria das Inteligências Múltiplas, desenvolvida por Howard Gardner em 1985, tem como função repensar o conceito de inteligência como sendo uma capacidade geral e única. Essa teoria sugere que existem capacidades independentes entre si, como a inteligência linguística, musical, lógico-matemática, espacial, cinestésica (que difere da habilidade sinestésica citada anteriormente), interpessoal e intrapessoal.

Dessa maneira, um aluno pode ter menor aptidão lógico-matemática e maior habilidade visuoespacial, ou vice-versa. Outro pode ser ótimo no que diz respeito à liderança em sala de aula, mas não ter habilidades linguísticas tão bem apuradas.

Da mesma forma, as disciplinas ministradas em sala de aula demandam mais ou menos de cada uma dessas habilidades e, portanto, dificilmente um mesmo aluno terá ótimo rendimento em todas as disciplinas aprendidas.

Nos próximos tópicos, explicaremos brevemente cada uma delas e quais são suas principais características.

Inteligência lógico-matemática
Essa inteligência está mais focada na razão e está ligada ao pensamento lógico, identificação de padrões, solução de problemas, de equações e cálculos matemáticos. Até pouco tempo atrás era o principal tipo utilizado em testes de QI para mensurar o nível de inteligência das pessoas.

Em resumo, ela se relaciona ao estilo de aprendizagem que foca na lógica e nos números. Engenheiros, cientistas e estatísticos são alguns dos profissionais que se encaixam nesse tipo de inteligência.

Inteligência espacial-visual
Como o nome sugere, esse tipo de inteligência envolve boa percepção visual e de espaço, permitindo que as pessoas tenham melhor entendimento a partir de informações visuais (como gráficos e mapas).

Assim, o estilo de aprendizado que mais tem a ver com ela conta com o uso de formas, imagens e gravuras. Design, arquitetura e fotografia são algumas das profissões ligadas a ela.

Inteligência verbo-linguística
Já a inteligência linguística se refere às diversas formas de expressão, como a oral, gestual e escrita. Assim, além de saber se expressar, a pessoa também tem grande capacidade de interpretar e analisar informações.

Geralmente, as pessoas com esse tipo de inteligência aprendem idiomas com facilidade e são bons comunicadores. Os profissionais ligados a ela são jornalistas, redatores, escritores e poetas.

Inteligência interpessoal
Aqui, os indivíduos têm maior capacidade para se relacionar com os outros, uma vez que contam com habilidades para identificar sentimentos, intenções e desejos, por exemplo, dos outros.

Também se pode encontrar facilidade com a comunicação, porém de forma mais voltada para o trabalho em equipe e o contato humano. São profissionais de RH, psicólogos, terapeutas e até mesmo os políticos.

Inteligência intrapessoal
Pessoas com inteligência intrapessoal são mais introspectivas. Isso significa que elas têm grande capacidade de reconhecerem seus próprios desejos, sentimentos e motivações — além de conseguir controlar as emoções.

Assim, o estilo de aprendizado é mais voltado para a autorreflexão e todos os profissionais podem desenvolvê-la, uma vez que contribui para promover e melhorar o conhecimento de si mesmo.

Inteligência naturalista
O tipo naturalista está voltado para a relação que a pessoa tem com o mundo natural e sua capacidade de compreendê-lo. Isso envolve o conhecimento e a capacidade de distinguir espécies de animais e plantas e questões climáticas, por exemplo.

Para ser estimulada, requer um estilo de aprendizagem que permita maior contato com a natureza. Entre os profissionais com essa inteligência, podemos citar biólogos, jardineiros, engenheiros (florestal e climático, por exemplo) e geólogos.

Inteligência corporal-cinestésica
A inteligência corporal-cinestésica consiste na capacidade que a pessoa tem de controlar os movimentos corporais e utilizá-los para se expressar e resolver problemas, por exemplo. As habilidades envolvem equilíbrio, coordenação e expressão por meio de movimentos.

O aprendizado, nesse caso, tem relação direta com sensações, movimentos, toques e experiências físicas. Nessa categoria, se encaixam atletas, atores, dançarinos e motoristas.

Inteligência musical
Aqui, as pessoas têm maior capacidade para identificar, compreender e produzir os mais diversos tipos de som — além de reconhecer padrões de ritmos e tons em músicas. Os profissionais com esse tipo de inteligência geralmente são instrumentistas, cantores, compositores e DJs.

Como trabalhar as múltiplas inteligências nas disciplinas
O professor, mais uma vez, desempenha um importante papel nesse sentido. Ele deve evitar rotular os alunos e oferecer suporte para que cada estudante consiga, juntamente a ele, alcançar rendimento satisfatório em um determinado conteúdo.

Outra maneira interessante é intercalar nas avaliações questionamentos que trabalhem mais de uma das habilidades, de forma que aquele aluno do exemplo acima, que tem dificuldades lógico-matemáticas, consiga resolver uma questão dessa matéria a partir de pistas visuo-espaciais.

Com o tempo, ele ficará mais à vontade com os temas envolvendo o raciocínio lógico — e isso certamente o deixará mais seguro em relação à disciplina, favorecendo, assim, o seu desempenho geral.

Como lidar com a diversidade
Observamos neste artigo que o trabalho do professor demanda habilidades importantes de observação inter e intraindividual. Ele deve conhecer os diferentes tipos de temperamento, traços de personalidade, estilos cognitivos e as múltiplas inteligências existentes nas turmas, uma vez que todos esses fenômenos acabam impactando na maneira de agir em sala de aula.

Assim, podemos sugerir que a melhor metodologia de ensino envolve a capacidade de buscar aquela que se enquadre melhor em cada sala, dependendo de como ela é formada em relação a esses fatores.

Mais que uma metodologia de ensino, uma forma de possibilitar a metacognição
Investir na educação diferenciada, contudo, é permitir que o aluno seja parte ativa nesse processo. O velho método de ensino com aulas obrigatoriamente expositivas com subsequente avaliação não ajuda o aluno a sentir-se parte do todo — nem tampouco promove um movimento próprio do estudante em busca de conhecimento.

Aulas que estimulam a metacognição, ou seja, que fazem com que os alunos aprendam a conhecer as suas melhores estratégias de aprendizado, são as que vão contribuir, de fato, para alavancar o conhecimento em sala de aula. E ainda melhor: fazer com que o aluno tenha mais independência, uma vez que em determinado momento ele não terá a presença do professor para buscar soluções e o melhor caminho para a tomada de decisão.

Na prática, cada conteúdo inserido no programa da disciplina deve ser ministrado de maneiras mais diversas possíveis. O professor pode:

- expor o conteúdo oralmente, apresentando situações que favoreçam o raciocínio matemático e linguístico;
- ilustrar cada conteúdo por meio de desenhos, esquemas, mapas e animações;
- relatar histórias e contar casos e anedotas;
- propor atividades simuladas, como jogos, exercícios práticos e miniprojetos a serem desenvolvidos;
- fazer uso de poemas cantados, músicas e rimas diferentes para melhor memorização dos conteúdos, entre outros.

Por isso, a melhor metodologia de ensino é aquela em que os professores apostam em em aulas mais dinâmicas e interativas, que permitam a troca de ideias, que trabalhem o conhecimento de forma autossuficiente e que despertem nos alunos a curiosidade pelos temas trabalhados, por meio de atividades mais práticas e um ambiente de ensino que o permita se destacar futuramente no mercado de trabalho.