PERDIDOS NO ESPAÇO (PARTE 2)

Data: 25 de Abril de 2018

Como ia dizendo, com 4 anos e meio, em Santa Maria, minha cidade natal no Rio Grande do Sul, assisti ao vivo pela televisão o homem pisando na lua pela primeira vez. Um espetáculo em preto e branco e baixa definição. Até hoje tenho aquela sensação infantil de possuir uma figurinha rara em álbum de estimação. Quantos piás terráqueos da minha idade será que viram o mesmo que eu vi? Com olhos de criança? Alguns milhões, talvez. Afinal, naquela época éramos 3,5 bilhões de humanos.

A brincadeira de astronauta se tornou uma das minhas preferidas. Um vizinho improvisou uma cápsula lunar fincando palitos numa laranja à guisa de patas da espaçonave. Meu irmão era o Aldrin - o cara que pisou na lua; o amigo preferia o Armstrong - que também desceu. E eu era o Collins, o astronauta que ficou no módulo da Apolo 11 observando tudo. Foi o que sobrou para mim, o menor da turma.

Um ano e meio depois, com seis anos, eu já estava numa carteira escolar, sem passar por jardim da infância, pré-primário, direto, sem escalas. Na minha contagem de tempo, anos-luz dos dias em que brincava de astronauta. E fiquei ali, observando que nem o Collins, aquele monte de novidades com o cheirinho inesquecível do meu primeiro material escolar novinho em folha.

O universo do conhecimento que começava a passar diante dos meus olhos como uma chuva de meteoros não me afastou - nunca - da dimensão infinita da imaginação. Então, era sair correndo da escola para grudar naquela série em preto e branco em que o robô não cansava de repetir para o menino Will: Perigo! Perigo!